O que é infertilidade

 

A infertilidade é um problema cada vez mais comum, sendo resultado de fatores internos ou de contributos inconscientes do ser humano que atinge homens e mulheres. Consiste na incapacidade temporária ou permanente em conceber um filho ou levar a temo uma gravidez até o momento do parto. É uma doença que afeta um em cada dez casais em idade fértil. No Brasil, estima-se que aproximadamente dois milhões de casais venham a apresentar algum tipo de dificuldade ao longo de suas vidas reprodutivas. Os sintomas são silenciosos e se confundem com a conseqüência, que é a ausência de um bebê. Em geral, o diagnóstico pode ser realizado após 12 meses de tentativas ou se a gravidez não segue em frente, não vai ao tempo certo. Se a mulher tem mais de 35 anos, o prazo para a realização do diagnóstico cai para seis meses de tentativas.

 

Infertilidade Feminina:

Principais causas:

  •   Fator ovulatório
A principal causa de dificuldade de ovulação é a Síndrome dos Ovários Policísticos. Outras causas importantes são as doenças da glândula tireóide e o aumento de produção da prolactina. Mulheres com mais de 35 anos tendem a apresentar dificuldade de ovulação.

  •   Fator tubário
A doença tubária é uma das principais causas de infertilidade feminina. As causas mais comuns de distorção e perda de função das tubas uterinas (ou trompas) estão relacionadas à ocorrência de inflamações na região pélvica, principalmente as causadas por Chlamydia e Gonococo. As tubas uterinas também podem ser atingidas pela endometriose, prejudicando seu funcionamento. Essa é um problema cada vez mais comum e que vem superando a incidência de outras doenças pélvicas como causadoras de alteração nas trompas.

  •   Endometriose

A endometriose é uma doença que se caracteriza pela presença de tecido endometrial fora da cavidade uterina e que afeta mais comumente o tecido que reveste a cavidade abdominal (peritônio), os ovários, as tubas uterinas, e outras áreas. Hoje, acredita-se que a doença seja responsável por grande parte dos casos de infertilidade feminina. A endometriose pode levar a infertilidade através de:

- alteração nas tubas uterinas: as tubas podem se tornar impérvias (intransitráveis) e sem mobilidade.

- alteração na ovulação: dificuldade de produção ovular e à perda de qualidade dos óvulos.

- interferência na Fertilização: a endometriose pode dificultar a penetração dos espermatozóides nos óvulos.

  •   Fator uterino

Qualquer doença que leve à alteração ou deformação da cavidade uterina (onde está localizado o tecido endometrial) pode causar dificuldade de implantação embrionária. Portanto, miomas que, por seu tamanho e/ou localização, deformam a cavidade endometrial são causas importantes de infertilidade. O mesmo acontece em relação aos pólipos endometriais (pequenos tumores do endométrio). Outras situações menos comuns são aquelas em que há formação de “cicatrizes” na cavidade uterina (sinéquias) após curetagem ou infecções, ou ainda aquelas em que há deformidade congênita da cavidade endometrial (septo uterino, útero bicorno, útero didelfo).

 

 Infertilidade Masculina

Principais causas:

  •   Varicocele

A varicocele é a causa de infertilidade masculina mais freqüente, apesar de 2/3 dos portadores serem férteis. Consiste em uma dilatação anormal das veias que drenam os testículos. Cerca de 80% a 95% dos casos atingem somente o lado esquerdo e 10% a 20% são bilaterais. Raramente se apresenta isoladamente no lado direito. O diagnóstico deve ser baseado no exame físico e em exames subsidiários, sendo mais largamente difundido a Ultrassonografia com Doppler de bolsa testicular. A varicocele se divide em:

- Grau I: quando é possível palpar a dilatação apenas durante a manobra de força abdominal

-  Grau II: quando é possível palpar a dilatação sem dificuldades

- Grau III: quando o diagnóstico só é possível através de exame visual

O tratamento cirúrgico é realizado em adultos com alterações seminais, assimetria ou hipotrofia testicular (diminuição do volume do testículo) e paciente com varicocele grau III associado a alterações seminais.

  •   Azoospermia

Consiste em uma alteração genética em que o líquido seminal não apresenta nenhum espermatozóide. Essa alteração afeta de 1% a 2% do total de homens inférteis. A azoospermia pode ser dividida em 2 grupos:

  •   azoospermia obstrutiva: as causas podem ser processos obstrutivos congênitos ou adquiridos, como vasectomia, ausência dos canais deferentes, situações pós-cirúrgicas, entre outros.
  •   azoospermia não obstrutiva: gerada pela falência da produção testicular de espermatozóides. As causas podem ser problemas dos testículos ou a diminuição da produção central dos hormônios que estimulam o funcionamento testicular. Durante anos, o tratamento dos pacientes com alterações seminais foi baseado no uso de medicações. Estudos recentes têm demonstrado que os medicamentos podem subir a contagem dos espermatozóides, mas não levam ao aumento das taxas de gravidez. Por isso, nesses casos, os tratamentos de reprodução assistida são as melhores soluções, quando a gravidez não acontece após um ano de tentativa.

O tratamento da azoospermia consiste na recuperação espermática e o procedimento requer uso de anestesia. As técnicas são utilizadas conforme as causas: MESA, PESA, TESE, TESA (para casos de azoospermia obstrutiva) e TESE, TESA (para casos de azoospermia não obstrutiva).

MESA (microsurgical epididymal sperm aspiration) - consiste em técnica cirúrgica de extração espermática com retirada de pequenos fragmentos do epidídimo.

PESA (percutaneous epididymal sperm aspiration) - consiste na captura de espermatozóides por punção dos epidídimos.

TESA (testicular sperm aspiration) - técnica de recuperação espermática intra-testicular por punção.

TESE (testicular sperm extraction) – técnica de recuperação de espermatozóides por biópsia aberta.

Microtese (microdissection testicular sperm extraction) - técnica de recuperação de espermatozóides por microcirurgia.


O diagnóstico deve ser feito através de exames:

  •   Espermograma
O espermograma, ou análise seminal, é o melhor exame para a avaliação inicial do homem.  Na verdade, o exame demonstra o status de funcionamento dos testículos. Através do espermograma é possível avaliar:
- quantidade de espermatozóides produzidos: aspecto importante, pois há muita perda de espermatozóides no trajeto até a chegada ao óvulo
- motilidade (movimentação) dos espermatozóides: fator de grande importância para que o trajeto seja percorrido de maneira adequada.
- morfologia ou formato do sêmen: capacidade de fecundação dos espermatozóides.

A abstinência para a coleta do sêmen deve ser semelhante ao ritmo sexual do casal. A coleta deve ser feita por masturbação, evitando perdas, principalmente no primeiro jato, onde se encontra a maior parte dos espermatozóides.


  •   Ultrassonografia
O exame ultrassonográfico pode explicar alterações seminais, como em casos de varicocele ou outras patologias testiculares.

  •   Avaliação genética
Cerca de 6% do total da população infértil masculina possui alterações genéticas detectáveis. O diagnóstico é realizado através da análise do sangue do paciente.